terça-feira, 27 de outubro de 2026
Política

O plano do Amazonas visto por dentro: da pesquisa aos eixos de governo

Elaborado por equipes multidisciplinares, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas organiza diagnósticos, metas e propostas para a próxima gestão estadual de Omar Aziz.
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O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas foi organizado como uma base técnica para a próxima administração estadual, com diagnósticos, indicadores, metas e propostas distribuídos em três volumes. O material, apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD), soma aproximadamente 1.742 páginas e reúne contribuições de pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração e representantes de diferentes setores da sociedade.

A coordenação do trabalho ficou sob responsabilidade do empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte. Com mais de quatro décadas de experiência em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos, ele articulou equipes multidisciplinares encarregadas de analisar os principais desafios do estado e formular diretrizes para os próximos anos.

O plano abrange temas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional. A proposta é estabelecer uma agenda que não fique limitada a um único mandato e que possa ser acompanhada por instrumentos de execução e avaliação.

Três volumes organizam as propostas

O primeiro volume é dedicado às condições fiscais e econômicas do Amazonas. O documento aborda os efeitos da Reforma Tributária, a infraestrutura, a logística e a necessidade de diversificar as atividades produtivas do estado.

Também integram esse eixo propostas relacionadas ao fortalecimento da Zona Franca de Manaus, à expansão da economia no interior, à bioeconomia, ao turismo, à piscicultura, à fruticultura, à ciência e à tecnologia. O objetivo apresentado é ampliar a capacidade de investimento e reduzir as diferenças econômicas entre Manaus e os demais municípios.

O segundo volume concentra medidas para saúde, segurança pública e assistência social. Na saúde, o plano prevê a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Para a segurança pública, o documento propõe modernizar o Ronda no Bairro e ampliar o modelo por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social aparece como uma proposta para fortalecer a rede de proteção às famílias vulneráveis e ampliar oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume reúne educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as iniciativas mencionadas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a ampliação da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos por meio do Amazonas Digital e Inovador.

O texto também prevê o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Participação de equipes e instituições

A elaboração do plano contou com a participação de profissionais de diferentes áreas e recebeu contribuições de entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. A estrutura final procura relacionar os problemas identificados nos diagnósticos às soluções propostas e aos mecanismos necessários para a execução.

Entre os temas incorporados ao planejamento estão inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A proposta também prevê o acompanhamento das ações por indicadores, metas e instrumentos de avaliação.

Outra diretriz apresentada é a continuidade das políticas públicas. O planejamento busca organizar iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo, embora a implementação dependa de prioridades administrativas, disponibilidade orçamentária e capacidade de execução dos órgãos estaduais.

A trajetória de Durango Duarte

A coordenação do plano se relaciona à experiência acumulada por Durango Duarte em pesquisa, comunicação, consultoria e gestão. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda adolescente, e construiu no Amazonas a maior parte de sua trajetória profissional e empresarial.

Durango estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Também se graduou em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).

Sua formação inclui especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Esses conhecimentos se relacionam à atuação em pesquisas, comunicação e planejamento estratégico.

A aproximação com a política começou no movimento estudantil, na década de 1980, quando participou de mobilizações pela redemocratização do país e de atividades de representação universitária. Nesse período, estabeleceu relações que permaneceriam presentes em sua trajetória profissional.

Relação profissional com Omar Aziz começou nos anos 1980

A relação entre Durango Duarte e Omar Aziz teve início na vida estudantil e política amazonense. Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, também atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos de consultoria ligados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.

Ao longo desse período, participou de estudos, estratégias e projetos associados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Entre as iniciativas relacionadas à sua trajetória estão o Ronda no Bairro, o Amazonas Digital, o Viver Melhor, a Cidade Universitária e o Bolsa Universidade.

Pesquisa de opinião e atuação empresarial

Um marco da trajetória empresarial de Durango foi a fundação, em 13 de julho de 1993, da Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar com a marca Perspectiva Mercado e Opinião.

A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores. A experiência de Durango no setor havia começado em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas.

Na época, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um contexto em que os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a Perspectiva desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa, enquanto Durango acumulou experiência no acompanhamento de 22 eleições desde 1982. Ele também criou o Top of Mind, levantamento sobre as marcas e os produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

A atuação no mercado de pesquisas consolidou sua experiência na leitura de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas.

Empresas ampliaram experiência em comunicação e tecnologia

Durango diversificou suas atividades empresariais ao longo dos anos. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.

Em 2021, fundou a Red Agency, ligada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais. Esse conjunto de negócios ampliou sua experiência em gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial.

Além da atuação empresarial, Durango fundou, em 2015, o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos. O instituto foi inaugurado oficialmente em abril de 2016 e reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes sobre a história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

Ele também participou da produção de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional, entre elas Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, de 2020.

Plano passa a integrar a agenda da próxima gestão

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, tendo Alessandra Campêlo como vice-governadora. A posse da nova gestão está prevista para janeiro de 2027.

Com o resultado eleitoral, o plano coordenado por Durango Duarte passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a formulação das políticas públicas do próximo governo. Omar Aziz retorna ao comando do Executivo estadual depois de ter administrado o Amazonas entre 2010 e 2014. Alessandra Campêlo será a primeira mulher eleita para a vice-governadoria do estado.

O documento apresenta propostas para reorganização administrativa, ampliação de investimentos, melhoria dos serviços públicos e desenvolvimento dos municípios do interior. A execução, porém, dependerá da definição de prioridades, dos recursos disponíveis e da articulação entre o governo estadual, os municípios, a União e o setor produtivo.

Ao reunir estudos, diagnósticos e propostas em três volumes, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas encerra a etapa de formulação e oferece uma referência para a próxima administração. O desafio seguinte será transformar as diretrizes em ações, com metas, indicadores e acompanhamento dos resultados.